As 4 ações para fazer seu filho dormir a noite toda (Para começar hoje!)

Já parou para pensar: Por que algumas crianças dormem a noite toda e outras não?

O que faz com que algumas crianças durmam uma longa noite de sono, já desde os primeiros meses de vida e em pouco tempo após o nascimento do bebê algumas mães conseguem retomar seu descanso, autoestima e ritmo de vida?

Quando meu segundo filho nasceu isso parecia algo impossível. E se soa como algo duvidoso para você também, esse artigo está aqui pra te ajudar!

Não é raro você encontrar alguém que diga algumas dessas frases nos primeiros dias de vida do seu bebê:

  • Essa fase vai passar.
  • Criança é assim mesmo, dá trabalho.
  • Mãe aguenta tudo, é nossa missão.

Você reparou a quantidade de absurdos nessas frases?

Estas pessoas não fazem isso por maldade ou por falta de sensibilidade com a recém-mãe. Elas fazem porque também incorporaram esses mitos que a sociedade reforça. Elas simplesmente não sabem como funciona a aprendizagem comportamental das crianças e provavelmente passaram pelas mesmas dificuldades em lidar com o sono dos pequenos.

A intenção deste artigo não é apenas apontar erros, mas, principalmente, compartilhar soluções.

Qual é o problema dos mitos?

Os mitos sociais são passados de geração em geração compartilhados entre pessoas que passaram por dificuldades parecidas e tem a principal função de criar um conforto emocional para o problema que existe.

Ou seja, “Se eu não consigo fazer meu filho dormir a noite toda não significa que não sou uma boa mãe. É assim mesmo, todos passam por isso. Preciso ter forças para encarar essa fase”.

Assim, embora a mãe esteja sem energia nenhuma para encarar as tarefas do dia a dia, a autoestima dela acaba sendo preservada de certa forma com a frase: “A culpa não é minha”.

O problema desses mitos é justamente esse! Ora, se a culpa não é da mãe, se ela nada tem haver com isso, ela também não tem condições de mudar essa realidade.

Grande engano! Quando estamos presos a afirmações como essas ficamos incapacitados de agir diferente, de encontrar soluções, de melhorar o sono e o desenvolvimento do bebe e principalmente de assumir o comando da educação das crianças.

Ao ignorar o fato de que pode ser diferente, deixamos de agir positivamente sobre o problema.

O que eu ganho com isso:

Suponho que não preciso listar aqui os benefícios de uma noite tranquila, porém para quem nem lembra mais como é dormir uma noite toda, sem interrupções vou relembrar alguns prazeres:

  1. Quem dorme bem, acorda bem! Renova a energia e fica mais disposta a encarar os problemas de um dia corrido.
  2. Se você tem um marido, você sabe bem falta que faz um momento a dois, um jantar, um filme, um momento a sós.
  3. Dormir é uma das técnicas para diminuir o estresse, a tensão acumulada durante o dia, diminui a irritação e a ansiedade.
  4. Uma mente descansada absorve melhor os estímulos, pensa com mais clareza e toma decisões com mais critérios e reflexão.

Para a criança isso é ainda mais importante!

Além do bem estar proporcionado por uma noite de sono reparador, quanto menor é a criança, mais impacto esse momento tem sobre o desenvolvimento dela: É o sono de qualidade que vai permitir o amadurecimento das funções vitais, ampliar as habilidades mentais (memória, aprendizagem, raciocínio), fortalecer a imunidade, estimular o crescimento corporal e auxiliar no desenvolvimento cerebral e organização mental.

Além disso…

Quando você consegue estabelecer rotinas, regras e rituais para o sono você consegue também instituir regras e limites em outros aspectos comportamentais.

Quando você ensina com segurança e tranquilidade uma habilidade para seu filho você fortalece também a sua autoconfiança, renova a autoestima e estará mais preparada para lidar com todos os desafios que a educação de um filho exige.

Como assim, ensinar a dormir? Não nascemos sabendo?

Não.

Quando um bebê nasce, ele chega num mundo desconhecido. Não é quentinho e escuro como era antes e agora ele tem inúmeros estímulos para explorar.

Bebê, papai e mamãe estarão se adaptando nos próximos meses (eu diria até anos!!!). Ele vai aprender quem são vocês, como se comunicar com vocês, como ter a atenção de vocês e como estar seguro com vocês.

E nós? Bom, pra falar a verdade nós estamos apavorados com ele! Tentando conhece-lo, entende-lo e fazer com que se sinta acolhido, seguro e feliz.

Tudo ao redor é aprendizagem, sensação, emoção.

Aprender a dormir faz parte desse ciclo de adaptação e aprendizagem e você pode ensina-lo a fazer isso desde o primeiro dia de vida!

O que a Psicologia Comportamental diz sobre isso?

As características “natas” das crianças correspondem ao grau de atividade, sensibilidade, concentração e humor que podem ser estimuladas positivamente e moldadas para uma relação saudável com o mundo.

Comportamento é aprendizado e relacionado com a presença e resposta do outro. Os pais precisam encontrar uma forma de canalizar essas características positivamente e construir um repertório comportamental extraindo o que seus filhos tem de melhor.

Sabendo disso, “bora” pra ação!

O momento de dormir é importantíssimo tanto para o desenvolvimento físico como emocional e garante uma rotina saudável para toda a família.

Portanto, se esse tem sido um problema frequente nas suas noites eu lhe digo: É hora de agir!

# Ação 1: O ponto de partida (Ambiente)

Na hora de dormir a preparação do ambiente é fundamental, a começar pelos aspectos do quarto aonde a criança dorme. Quero que você avalie se a temperatura está adequada, a quantidade de estímulos visuais (bichinhos, brinquedos a mostra, excesso de decoração, cores vibrantes, Tv, cacarecos…) e diminua ao máximo esses elementos do campo de visão da criança.

Com um ambiente “super estimulante” o cérebro fica atento e resistindo a relaxar por muito tempo. Quanto menos distração melhor.

A casa também precisa se preparar para dormir. Muitos pais esquecem que todo resto da casa fica ativo no momento da preparação para dormir.

Enquanto tentamos insistentemente embalar o bebê no quarto (a ação #3 vai falar sobre isso), a casa está em plena energia ainda: Luzes acesas, pratos sendo lavados, Tv ligada, cachorro latindo, conversas acontecendo.

Embora o bebê durma com essas variáveis ativas, esse é um ponto que o faz despertar após poucas horas de sono, pois o cérebro não entendeu que é hora de relaxar.

Ele dormiu porque estava cansado e fisiologicamente foi “vencido”, porém não entrou num ritmo de sono com qualidade porque não adormeceu um processo natural de tranquilidade e segurança.

Resumindo…

  • Diminua os estímulos visuais do quarto do bebê
  • Verifique as condições de temperatura do ambiente
  • Reduza as luzes da casa
  • Desligue Tv e outros ruídos
  • Afaste animais de estimação que possam interferir
  • Fale baixo e evite barulhos desnecessários
  • Prepare a casa para dormir

#Ação 2: A preparação  (Ritual)

Basicamente o Ritual do sono é uma sequência de atividades que “educam” a criança para formar hábitos para dormir com tranquilidade.

Geralmente nós começamos pelo inverso. Esperamos a criança ficar cansada, exausta para coloca-la para dormir porque achamos que essa é uma boa saída.

Certamente isso pode ser um grande engano… quanto mais cansada, mais irritada e impaciente a criança se sente. Resistindo ativamente a relaxar.

Quando ela dorme num momento de estresse, vencida pelo cansaço à muitas chances de que ela desperte logo que o equilíbrio cerebral se reestabelecer, dormindo mal e acordando no meio da madrugada.

É importante que o ritual do sono comece antes de a criança estar cansada.

Quando ela ainda está disposta, você a encontra mais receptiva e consegue conduzir melhor a situação.

Se ela adormecer de forma tranquila, seu sono terá muito mais qualidade e quantidade. Além disso, um ritual consistente é fundamental para a autoconfiança da criança, desenvolvimento adequado e bem estar familiar.

Cada família pode criar seu próprio ritual. O primeiro passo é identificar qual horário que seu filho começa a demonstrar sinais de cansaço e agir antes desse momento no dia seguinte.

Além disso, é importante que você estabeleça uma rotina (horários pré-definidos e sequência de atividades) que vão sendo consistentes todos os dias.

Aqui pode constar algumas atividades simples, calmas e gradativas, levando em conta os elementos citados na #Ação1, ok?

Um exemplo…

Uma sugestão de ritual do sono poderia ser: Jantar, banho, escovação, história (já no quarto) e oração ou agradecimento diário.

Um bom recurso também pode ser o uso de um “amiguinho de berço”, que faça companhia e gere conforto emocional. Volto a reforçar o cuidado com excesso de estímulos.

Depois disso, uma luz bem leve, um gesto de carinho com a criança e um recado de boa noite! Pronto: É hora de sair do quarto.

Talvez ela chame algumas vezes… não se preocupe! Isso é muito comum, faz parte da aprendizagem comportamental.

Siga firme!

Se isso acontecer, é importante que você volte, atenda o chamado dela, mas não fique por ali. Repita novamente o recado de Boa noite e saia do quarto.

Aos poucos esse hábito vai se fortalecendo e logo você vai perceber que o novo comportamento está sendo construído… muito mais saudável e mais tranquilo.

Evite deixar a criança chorando nesse processo, são pequenos passos diários, porém constantes. Acalme seu filho, transmita segurança, calma, carinho. E retome o ritual aonde ele parou.

#Ação 3: Menos embalo, mais aconchego (Hora do Berço)

Os processos de sono são estudados e avaliados com frequência pela a ciência. Os ciclos do sono são um tema em evidência e já mostram muitos resultados comprovando sua existência.

Resumidamente esse estudo mostra que todas as pessoas – todas! – tem ciclos de sono que duram aproximadamente 2 horas, despertando nesse intervalo por alguns milésimos de segundos e voltando a dormir num próximo estágio do sono, durante toda a noite.

Na imensa maioria das vezes que isso acontece, não é perceptivo para nossa consciência, porque acontece muito rápido, uma fração de segundo e logo voltamos ao estado de sono. É uma ativação cerebral para “mapear” o lugar aonde estamos e manter em alerta o sistema de emergência, de sobrevivência.

Para as crianças, desde muito pequenas acontece o mesmo ritual. Elas despertam por uma fração de segundo e voltam a dormir sem nem lembrarem do que aconteceu. Pelo mesmo é o que deveria acontecer.

Porém, quando a criança adorme no colo embalada ou mesmo no carrinho ou cadeira de balanço em movimento o cérebro entendeu e aprendeu que é assim que se dorme. Por volta de duas horas depois, quando há esse flash de atividade cerebral, ele mapeia que o ambiente mudou, não está no mesmo lugar que adormeceu e não está sendo embalado. Isso faz com que a criança desperte, chame e chore para que algum adulto venha acalma-la frequentemente com um colo e um embalo.

Então a sugestão parece simples. Ops, nem tanto!

Em primeiro lugar você precisa estar certo que a rotina do sono também é um hábito comportamental, e como todo comportamento foi aprendido e reforçado com o passar do tempo.

Se seu filho já cresceu um pouquinho e não é mais um bebê mais ainda desperta com frequência, não se preocupe! Ainda dá tempo para (re)ensinar a dormir.

Se ele é recém–nascido, você está na hora certa!

Vamos a técnica:

É importante que você observe as ações #1 e #2 e considere os aspectos citados. Depois disso, mantenha a calma e a clareza que não vai ser fácil nas primeiras noites. E tenha uma dose extra de energia e paciência. Se possível reveze com seu companheiro.

Você vai precisar de 4 dias em média para ensinar seu filho a dormir. Depois desse período de adaptação você vai ver que o tempo e a qualidade de sono dele (e sua!!!) começam a aumentar.

Na hora marcada, antes de a criança começar a demonstrar cansaço e livre do excesso de estímulos, faça o ritual do sono que você escolheu e coloque-a no berço (ou na cama) e afaste-se gradativamente.

Quando a criança chora ou chama, volte e acolha. Você pode dar um aconchego, um colo ou um carinho para que ela se acalme, mas lembre-se de evitar o embalo e coloque-a novamente no local de dormir.

Talvez você precise repetir várias vezes nos primeiros dias, mas siga firme e lembre-se: Você está ensinando um novo comportamento.

#Ação 4: De dia e de noite (Regras e limites)

Estabelecer limites custa caro! Não falo de custos materiais ou financeiros, mas quem vive intensamente a maternidade ou a paternidade sabe bem do que eu estou falando. Educar exige energia, esforço, tempo e dedicação, muita dedicação.

As crianças exploram o mundo ao seu redor com toda sua energia e disposição, querem conhecer suas possibilidades, seus limites. Querem se divertir e aprender. Querem testar as regras para saber se elas realmente funcionam e principalmente descobrir o quão verdadeira é a sua autoridade.

E é justamente a forma como você conduz os desafios e estabelece os limites que determina o grau de sucesso na sua função de educar, são os rumos da educação. Mas, reforço! Não é tão simples quanto parece!

A resposta não é tão clara.

Envolve emoções, sentimentos e inúmeras variáveis. É um emaranhado complexo de comportamentos e respostas.

Por isso, a importância de conhecer essas variáveis, pensar sobre a educação, aprender e exercitar formas assertivas de agir e aperfeiçoar o senso crítico. Traçar um rumo com os pilares sólidos que fazem a base daquilo que você considera importante na educação dos seus filhos.

Assim, quando nos deparamos com situações desafiadoras, teremos mais clareza para conduzir de forma tranquila e positiva.

Educar é equivalente a pousar um avião no aeroporto. As coordenadas na pista e os instrumentos ajudam o piloto a direcionar a manobra. Mesmo em dias de pouca visibilidade ele consegue ter sucesso na operação, porque tem traços bem definidos que apontam para onde deve ir e pousar em segurança.

As luzes dos aeroportos indicam aonde os pilotos devem levar os aviões. Se eles se mantiverem entre aqueles limites luminosos, estarão bem. Há segurança na área iluminada, porém pode haver desastre se o piloto sair da pista pela direita ou pela esquerda.

Faz sentido pra você?

Não é exatamente disso que precisamos como pais? Limites claros, marcações definidas, que nos digam para onde direcionar o caminho da família? Precisamos de algumas diretrizes, pressupostos básicos que nos ajudem a criar nossos filhos com segurança, saúde e harmonia.

Quando não temos essa base como pais, a escuridão toma conta do nosso projeto de educação, ficamos perdidos, em pânico e extremamente angustiados.

Para poder educar é preciso estabelecer e compartilhar certos limites, regras e valores desde o início do processo para organizar sua relação com seu filho.

Algumas pessoas não sabem…

Mas uma das bases que deve ancorar os limites com relação a missão de pai e mãe, é referente a Saúde e a segurança.

No que diz respeito ao nosso papel na educação dos nossos filhos, nossa grande função é prepará-los para a vida, para que sejam adultos fortes e críticos para experimentar caminhos, errar, aprender com os erros, pensar e avaliar por conta própria, assim como ser ético nas suas decisões.

É importante que os filhos saibam exatamente o que acreditamos ser correto e vivenciem as bases da educação que queremos ensinar.

Em primeiro lugar, os pais devem zelar pela segurança e saúde das crianças, estabelecendo e cobrando limites que o protejam, enquanto elas ainda não tem discernimento para optar sozinhas.

Portanto não tenha medo de exigir hábitos saudáveis de alimentação, exercícios físicos adequados, tempo de sono e descanso, brincadeiras criativas (longe de Tv e tablets), higiene corporal e bucal, cuidados com a pele e exploração segura do ambiente.

Isso quer dizer, que não podemos nos omitir quando, por exemplo, nosso filho quer se alimentar apenas de doces ou guloseimas, passar o dia na frente da Tv, dormir tarde, decidir não tomar banho ou correr sozinho em shopping, supermercados e lugares públicos.

Parecem regras simples, mas de grande importância tanto para a integridade física e emocional da criança, como também para a construção da ideia de limites claros, que demonstram autoridade dos pais sobre aquilo que consideram correto e mostram para a criança que você a ama tanto, capaz de ser firme no que diz respeito a saúde e segurança dela.

“Quem se nega em disciplinar seu filho não o ama. Quem o ama de fato, a seu tempo, o corrige.” Provérbios 13:24

As palavras chaves para a mudança são:

  1. Regularidade
  2. Persistência
  3. Dedicação
  4. Empenho
  5. Parceria

Benefícios a curto, médio e longo prazo

Os filhos precisam de regras desde pequenos. Não somente para aprenderem a se relacionar e conviver no ambiente familiar e social, mas principalmente porque regras e rotina deixam as crianças mais seguras, felizes e disciplinadas.

Isso porque ensinar regras está ligada diretamente ao conforto de saber que tem alguém tomando decisões importantes e zelando pela sua vida e seu crescimento.

Crianças com hábitos saudáveis crescem com mais autoestima, autoconfiança e responsabilidade.

Dormir bem, com qualidade e rotina é indispensável para se desenvolver integralmente e vivenciar bons momentos durante o dia. É um ciclo que envolve hábitos, disciplina e benefícios.

Além disso, deixa os pais mais dispostos para curtir cada etapa do crescimento do seu filho com energia e satisfação.

Participe da Discussão!

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