Como identificar uma criança hiperativa (E fazer desse diagnóstico uma escada para o sucesso)

Já faz tempo que a hiperatividade infantil deixou de ser um problema… De Bill Gates à Michael Phelps são inúmeras as histórias de sucesso de crianças que foram diagnosticadas com hiperatividade e se tornaram adultos memoráveis.

Antes de qualquer coisa, comece por aqui:

Você se lembra de quando era criança? Lembra mesmo? Aquele tempo onde todos os sonhos eram possíveis? E quando as pessoas mais velhas perguntavam o que você queria ser quando crescer? Ainda lembra?

Eu tinha várias opções… De Vendedora de sapatos, professora e até motorista de ônibus, não importava o que fosse, bastava sonhar que tudo parecia se tornar real. Era tão simples, não? Então por que quando nos tornamos adultos os sonhos simplesmente desaparecem? Parece que em algum lugar desligamos o botão e desistimos do que nos traria alegria, como se nunca tivesse tido nenhum significado.

Minha filha quer ser espiã e veterinária. Se der tempo ela também será bailarina, cozinheira e médica. Tenho certeza que muitas crianças por aí querem ser astronautas, cabelereiros, pilotos de fórmula 1, super-herói, etc, etc…

Lembram do que eu perguntei antes:

Quando será que desligamos o botão dos nossos sonhos? É provável que algum adulto (sem sonhos ou sem querer) tenha nos dado a resposta que mudou nosso futuro.

  • “Você não para quieto”
  • “Você não se concentra”
  • “Você não vai se dar bem na vida desse jeito”
  • “Você isso, você aquilo”

Quantas vezes nós apertamos o botão de “Desligar sonhos” dos nossos filhos… e nem imaginamos o custo disso no futuro.

O que a Psicologia Comportamental diz sobre isso?

As características “natas” das crianças correspondem ao grau de atividade, sensibilidade, concentração e humor que podem ser estimuladas positivamente e moldadas para uma relação saudável com o mundo.

Independente das reações de cada um, parece seguro concluir que a forma como os pais veem seus filhos pode influenciar não só a forma como as crianças veem a si mesmos, mas também a forma como eles se comportam.

Comportamento é aprendizado e relacionado com a presença e resposta do outro. Os pais precisam encontrar uma forma de canalizar essas características positivamente e construir um repertório comportamental extraindo o que seus filhos tem de melhor. Futuramente serão essas habilidades que vão favorecer estudos, trabalho e sucesso na vida adulta.

Tudo começa com MEDO do futuro:

E quando um diagnóstico ou uma suspeita de que algo não vai bem vem atormentar o coração de um pai ou uma mãe?

E agora? O filho que foi criado para ser “alguém na vida” tem grandes chances de fracassar nessa missão, porque é hiperativo… Grande engano, um erro que pode mudar o futuro do seu filho.

Primeiro vamos arrumar essa bagunça:

Atualmente a desatenção e a hiperatividade tem sido apontadas como fatores comuns nas dificuldades de aprendizagem, problemas comportamentais e transtornos do desenvolvimento infantil. Podemos afirmar que é sim um dos transtornos infantis mais estudados em vários países.

No mundo da lua” e “a mil por hora” são algumas das definições que as crianças com hiperatividade e desatenção recebem no decorrer do seu desenvolvimento.

Conhecido também como TDAH,  esse diagnóstico tem sido difundido entre as crianças em idade escolar de forma generalizada, em alguns casos sem um estudo aprofundado e critérios bem definidos.

Nem tudo é o que parece: Como identificar uma criança hiperativa (TDAH)?

Muitos pais e professores sentem dificuldades para identificar se a criança é portador de TDAH, ou se é um padrão comportamental “agitado”, ou ainda uma criança sem limites, dado que as crianças nesses estados podem apresentar sintomas parecidos.

Embora frequentemente estudado, suas causas ainda não foram claramente estabelecidas. Sugere-se uma integração de aspectos, que resulta numa origem multifatorial, inclusive herança genética e ambiente propício.

É uma avaliação complexa, pois o TDAH pode trazer transtornos associados que podem intensificar ou maquiar algumas características, dificultando a identificação mais precisa do diagnóstico e principalmente o caminho do tratamento a ser percorrido. Por isso, a importância de um acompanhamento eficiente com profissional qualificado.

Me conte como seu filho é: As características!

ponto de partida é a presença de uma característica essencial: um padrão persistente de desatenção, hiperatividade e alguns sintomas hiperativo-impulsivos que causam prejuízo ao relacionamento interpessoal e no rendimento escolar.

Para ser diagnosticada, a criança precisa apresentar pelo menos 6 desses critérios abaixo, propostos no DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais), e esses sintomas devem interferir claramente no seu cotidiano familiar, social e escolar por pelo menos 6 meses.

Seis (ou mais) dos seguintes sintomas de desatenção (duração mínima de 6 meses):
1. Não consegue prestar muita atenção a detalhes ou comete erros por descuido nos trabalhos da escola ou tarefas;
2. Tem dificuldade de manter a atenção em tarefas ou atividades de lazer;
3. Parece não estar ouvindo quando se fala diretamente com ele;
4. Não segue instruções até o fim e não termina deveres de escola, tarefas ou obrigações;
5. Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades;
6. Evita, não gosta ou se envolve contra a vontade em tarefas que exigem esforço mental prolongado;
7. Perde coisas necessárias para atividades (p. ex: brinquedos, deveres da escola, lápis ou livros);
8. É esquecido em atividades do dia-a-dia;

 

Seis (ou mais) dos seguintes sintomas de hiperatividade (duração mínima de 6 meses):
1. Mexe com as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira;
2. Sai do lugar na sala de aula ou em outras situações em que se espera que fique sentado;
3. Corre de um lado para outro ou sobe demais nas coisas em situações em que isto é inapropriado;
4. Tem dificuldade em brincar ou envolver-se em atividades de lazer de forma calma;
5. Não pára ou frequentemente está a “mil por hora”;
6. Fala em excesso;
7. Responde as perguntas de forma precipitada antes delas terem sido terminadas;
8. Tem dificuldade de esperar sua vez;
9. Interrompe os outros ou se intromete.

Entenda melhor o comportamento do seu filho!

Eu preparei um e-book com 5 aulas sobre comportamento infantil. Com ele você poderá começar a entender melhor as atitudes de seu filho ou filha. Baixe Gratuitamente!

Como é ter uma criança TDAH em casa?

Crianças que sofrem de TDAH apresentam conduta inapropriada para sua idade. Custa-lhes controlar seu comportamento, suas emoções e pensamentos.

De uma forma geral, as crianças com esse diagnóstico frequentemente tem dificuldades para manter a atenção em tarefas e atividades lúdicas ou educacionais.

Persistir e concluir uma atividade parece algo muito difícil para essas crianças. Elas mudam frequentemente de uma tarefa para outra sem completarem nenhuma das propostas.

Em casa, os pais precisam insistir repetidas vezes para cumprir tarefas simples, parece que não ouvem quando alguém fala, mexem em tudo ao mesmo tempo, não conseguem organizar-se e estão sempre a mil por hora. Na escola, os professores precisam estimular constantemente para que suas atividades sejam concluídas e além do mais, seus comportamentos impulsivos e extremamente agitados afetam o dia a dia das aulas.

*Vale ressaltar aqui, que a Hiperatividade não é falta de concentração por falta de empenho ou um comportamento indisciplinado resultante da educação dada pelos pais.

Existem crianças “mais ou menos” hiperativas?

Este transtorno do desenvolvimento infantil tem três características básicas: a desatenção, a agitação e a impulsividade, além de ter um notável impacto na vida da criança ou do adolescente. Pode levar a dificuldades emocionais, de relacionamento familiar e social, como também baixo desempenho escolar. O TDAH divide-se em 3 subtipos:

  1. Predominantemente desatento;
  2. Predominantemente hiperativo/impulsivo;
  3. Combinado.

Alguns sintomas podem ser destacados no perfil de uma criança hiperativa, tais como: envolve-se em várias atividades ou brincadeiras ao mesmo tempo, muitas vezes deixando-as inacabadas; não consegue permanecer muito tempo na mesma atividade; levanta-se da cadeira frequentemente; distrai-se facilmente com os estímulos do ambiente; esquece materiais e tarefas; não consegue esperar a sua vez; muitas vezes interrompe os outros e tem dificuldade em se organizar.

As crianças hiperativas, embora tenham uma boa capacidade intelectual podem apresentar baixo rendimento escolar, devido a distração durante as explicações nas aulas ou na execução das atividades e provas.

Existe “cura”?

O TDAH não tem cura, justamente porque não precisa de cura. Precisa de esclarecimentos e aprendizagem comportamental.

Hoje temos várias terapias especializadas, que auxiliam a criança a desenvolver sua consciência comportamental, ampliando seu repertório e controlando sua impulsividade. A mais indicada tem sido a Terapia Comportamental, que tem impacto significativo na melhora dos sintomas.

E a medicação…

Algumas linhas de tratamento sugerem o uso de medicamentos, que precisam de uma avaliação mais cautelosa – não descarto sua importância, porém são casos bem específicos e por tempo determinado.

Por isso, somente um especialista capacitado pode dizer qual o medicamento mais indicado para o caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento.

Qual é a idade certa para avaliar?

O TDAH costuma ser diagnosticado no início da idade escolar, por volta dos 6 anos, quando os sintomas começam a ser mais evidentes e alguns problemas de aprendizagem começam a aparecer.

No entanto, algumas características já podem ser perceptíveis desde a primeira infância. Tomando alguns cuidados em relação a faixa etária, é possível desde cedo, identificar e estimular algumas habilidades que podem auxiliar no repertório comportamental dessas crianças, como: memória, atenção, concentração, autoconfiança, tolerância a frustração, percepção viso-motora, entre outras.

Ainda assim, é importante distinguir a verdadeira hiperatividade dos comportamentos ativos e impulsivos que são características da infância.

Dá pra resolver?

A criança que convive com TDAH também sofre. Ela precisa ser amparada na sua dificuldade e compreendida. A informação e o acompanhamento são sempre o melhor remédio. Criança e família precisam de um suporte para lidar melhor com o problema e superá-lo.

É hora de procurar ajuda

De qualquer forma, se você identificou a presença dessas características no perfil do seu filho, é indispensável fazer uma avaliação especializada para esclarecer dúvidas, receber orientações e encaminhamentos necessários. Esta atitude possibilita à criança um desenvolvimento mais tranquilo e uma interação mais harmoniosa com a família.

Portanto, a avaliação e o diagnóstico devem ser feitas por profissionais especializados que analisam a intensidade e a frequência em que os comportamentos ocorrem e o grau de afetação na vida cotidiana da criança e da família.

A partir da avaliação é preciso dar os próximos passos. Como disse: a criança com características de TDAH também sofre, passa por situações difíceis e estressantes, tem dificuldades em lidar com aspectos emocionais e é repreendida frequentemente, por estar classificada fora do chamado “padrão”.

 

Quem nasceu primeiro: O ovo ou a galinha? Sobre plasticidade cerebral

Nosso cérebro nunca está pronto, ele se molda constantemente. Prova disso é a nossa capacidade infinita de aprender e se adaptar a novos contextos durante a vida. Quanto menos idade, maior é facilidade e a absorção dos estímulos externos.

Crianças expostas frequentemente a um excesso de estímulos e de brinquedos, vários tipos de recurso ao mesmo tempo, pouca organização na casa, tv ligada com frequência, tendem a apresentar comportamentos mais instáveis, agitação excessiva e irritabilidade.

Cultura da “hiperestimulação”

A sociedade atual criou a cultura da “hiperestimulação”. Parece que a criança precisa estar sendo estimulada o tempo inteiro, com uma infinidade de brinquedos, sons e recursos. Hoje eu vim aqui te dizer o contrário.

Um ambiente organizado, sem excessos de estímulos sonoros e visuais, brinquedos e objetos em lugares definidos, livres da bagunça visual, liberam o pensamento infantil para focar naquilo que você deseja ensinar, seja do ponto de vista do exemplo como organização prática ou do ponto de vista da aprendizagem de regras ou de alguma habilidade. Sem os excessos, você encontra a criança mais disponível, mais aberta para receber o que você pretende ensinar, mais concentrada e atenta, consequentemente absorvendo mais seus estímulos.

A verdade é que atualmente muitos brinquedos brincam sozinhos. Eles tem um excesso de sons, cores, imagens e movimentos que reduzem o espaço criativo e imaginário das crianças. Além do que, criam uma hiperestimulação cerebral que a criança pequena não tem maturidade suficiente ainda para tanta informação.

A mesma lógica da redução de estímulos é aplicada para TV, tablets e celulares, que nos causam a falsa sensação de benefícios com jogos educativos ou interativos.

É claro, que de maneira nenhuma eu estou criticando o uso de brinquedos industrializados, até porque isso faz parte do nosso dia a dia, inclusive temos opções interessantes e a maioria deles pode ser usado para estimular habilidades específicas, como motricidade ampla e fina, por exemplo. Mas a dosagem e o equilíbrio são a melhor forma de aproveitar ao máximo suas especificações.

Por isso pense em diminuir a quantidade de estímulos expostos à criança. Preocupem-se com estímulos sonoros e visuais ao mesmo tempo preferindo sempre “uma coisa por vez”. Ao sentar para brincar com a criança, prefira um ambiente tranquilo, organizado e sem TV ligada. Tire um tempo para manter a casa em ordem e aos poucos inclua a criança nessa tarefa. É indispensável que o ambiente seja agradável e organizado para o relacionamento da família se estabelecer de forma tranquila.

Mantendo a ordem e selecionado previamente os brinquedos é um bom começo para estimular habilidades mentais favoráveis à concentração, atenção e memória. Além do mais, ganhamos mais espaço para desenvolver a criatividade, a iniciativa e a autonomia da criança, já que não estamos sufocados pelo excesso e desorganização.

Faz sentido pra você?

Uma mente estressada, sobrecarregada de estímulos, com excesso de tecnologia e brinquedos “barulhentos” tende a ser uma mente fechada, resistente e confusa.

Sem os excessos, você encontra a criança mais disponível, mais aberta para receber o que você pretende ensinar, mais concentrada e atenta, consequentemente absorvendo mais seus estímulos.

Além disso

Na era da tecnologia e da velocidade das mudanças na sociedade, o tempo de espera e de tolerância reduziu consideravelmente em todos os aspectos, o que tornam as relações mais fragilizadas e pouco sólidas.

Por isso, comece a prestar atenção na sua forma de comunicação, especialmente com as crianças:

As vezes nós as sobrecarregamos de informações e exigências que elas não estão prontas para cumprir ou nem conseguem compreender. Justamente porque na rotina de hoje não se tem tempo pra esperar…

Vamos retomar nosso tempo de espera, cultivar e respeitar o tempo de resposta de cada um e saber que todos nós temos direito a ser menos rápidos as vezes, principalmente as crianças.

As palavras chaves para a mudança são:

  • Regularidade
  • Persistência
  • Dedicação
  • Empenho

O mais importante: Tempo de qualidade!  Estar disponivel verdadeiramente para os momentos em família.
Esteja concentrado nos seus objetivos, na sua missão de pai, de mãe e não perca de vista a importância da sua presença diária.
Se você está fazendo um bom trabalho, os resultados certamente virão.
Às vezes, as decisões mais simples acabam sendo as melhores decisões.

Entenda melhor o comportamento do seu filho!

Eu preparei um e-book com 5 aulas sobre comportamento infantil. Com ele você poderá começar a entender melhor as atitudes de seu filho ou filha. Baixe Gratuitamente!

Participe da Discussão!

engajamentos

Deixe uma resposta