Criança Virtual: A terrível verdade que você ainda não sabe sobre os impactos da tecnologia na infância

No início tudo são flores…

As crianças já nascem on-line! Há partos sendo transmitidos em tempo real, fotos do momento exato em que o bebê sente o mundo pela primeira vez e em poucos minutos após o nascimento a família inteira e os amigos já conhecem o rostinho do novo bebê. Ah, quanta fofura! A tecnologia realmente tem ajudado muito nesse quesito, sem dúvidas!

O fato que é a partir desse dia, esse bebê que acabou de nascer vai receber uma avalanche de tecnologia já no decorrer dos seus primeiros anos que vidas, que certamente vão se intensificar nos anos próximos à adolescência.

Quando falamos em tecnologia, nos referimos desde brinquedos eletrônicos que já vem no “kit recém-nascido”, TV, desenhos infantis acompanhados de imagens excessivamente estimulantes, brinquedos barulhentos e que brincam sozinhos (falam, andam, cantam) celulares, tablets e outros recursos virtuais.

Já faz algum tempo que smartphones e tablets vem substituindo bonecas, bolas e carrinhos. E mais, tem ocupado cada vez mais tempo e espaço no dia a dia infantil.

Crianças de 3/4 anos desbloqueiam a tela com facilidade, abrem aplicativos e usam recursos tecnológicos antes mesmo de aprenderem amarrar seus tênis, vestir sua roupa ou pedalar suas bicicletas sozinhas.

O que vem depois…

Isto levanta uma grande questão sobre o futuro dessas crianças. Toda essa enxurrada digital é relativamente nova. Existem inúmeras pesquisas científicas sobre esses impactos ao longo do tempo. O fato é que essa geração ainda está em desenvolvimento e a resposta dessa exposição só vai aparecer na sociedade daqui há alguns anos.

Esse é o grande alerta!

Na área científica já temos dados suficientes que comprovam o que chamamos de plasticidade cerebral – uma adaptação do cérebro em relação aos estímulos recebidos. Ou seja: crianças expostas frequentemente ao excesso de tecnologia modificam o funcionamento e a estrutura das conexões mentais.

 Quem disse isso?

 Muitas pesquisas foram conduzidas ao longo dos anos por educadores, psicólogos, médicos e cientistas para compreender como as crianças aprendem.

Existem muitas teorias que circulam, mas devemos dar destaque à Jean Piaget, psicólogo e filósofo suíço nascido em 1896, um dos autores mais estudados e respeitados em todo o mundo. Seus trabalhos serviram (e ainda servem) de base para inúmeros estudos e teorias na área da educação e desenvolvimento infantil.

Ele foi uma das primeiras pessoas a estudar como o cérebro da criança se desenvolve.

Vários sistemas educacionais tem implementado uma variedade de técnicas e métodos em que se baseiam nos princípios de Piaget.

Segundo ele, as crianças precisam explorar fisicamente o mundo em torno delas para conhecer, testar suas hipóteses, comparar e acomodar novas ideias.

Através da vivência concreta as crianças constroem uma compreensão do mundo à sua volta e tentam compreender novas ideias com base no que eles já sabem e já descobriram.

Em todas as fases da infância as interações face-a-face são as principais formas de adquirir  conhecimento, experiência e aprendizagem. E se isso não está acontecendo, as crianças estão perdendo marcos importantes do seu desenvolvimento.

Isso acontece porque…

A aprendizagem implica modificações no sistema nervoso. Geralmente se produz por ação de um estímulo externo (treinamento, experiência) e é um processo adaptativo, já que o indivíduo vai modificando-se frente as alterações do ambiente.

Com isso, vemos a importância de estímulos significativos e de qualidade na primeira infância, pois para que a aprendizagem se concretize, a criança associa experiências com funções perceptivas e motoras.

Essa elaboração dos novos conhecimentos permite formar estruturas mentais indispensáveis que possibilitam ao indivíduo relacionar vivências concretas com situações abstratas a cada momento.

Bom, mas é só um joguinho no celular… Cuidado!

Quando permitimos o uso da tecnologia em excesso, nós estamos modificando o cérebro infantil, dando a ele uma hiperestimulação desnecessária e nociva. O cérebro das crianças não tem maturidade suficiente para lidar com esses excessos.

Ele fica sobrecarregado tentando absorver incontáveis informações (sons, cores, imagens, movimentos) e passa a trabalhar em ritmo acelerado.

Enquanto isso o corpo da criança está parado, estático, falsamente relaxado. Essa disparidade causa um desequilíbrio das funções neuronais, resultando em processos igualmente instáveis: agressividade, ansiedade, irritação, agitação.

Então, qual é o resultado disso tudo?

Já vimos que o desenvolvimento sensório motor e os sistemas neuronais infantis não tem condições biológicas e emocionais para acomodar esta natureza sedentária e o ritmo frenético da tecnologia de hoje.

O impacto do rápido avanço da tecnologia na criança em desenvolvimento tem apresentado um aumento de distúrbios físicos, psicológicos e de comportamento que os sistemas de saúde e educação estão apenas começando a detectar, entender e relacionar.

Alguns dos pontos que já aparecem nas pesquisas são a associação  entre o uso excessivo da tecnologia e diagnósticos de TDAH (Hiperatividade), autismo, transtorno de coordenação, atraso no desenvolvimento, fala ininteligível, dificuldades de aprendizagem, transtorno de processamento sensorial, ansiedade, depressão e distúrbios do sono.

Como posso mudar esse jogo?

Vamos começar por aqui:

Quatro fatores fundamentais são necessários para alcançar o desenvolvimento infantil saudável:

  • Movimento
  • Toque
  • Conexão humana
  • Exposição a natureza

Estes tipos de estímulos sensoriais garantem o desenvolvimento de competências necessárias para o crescimento, desenvolvimento, aprendizagem e relações sociais saudáveis.

Relembrando os bons e velhos tempos quando nós estávamos crescendo… garanto que é uma viagem de memória em que vale a pena embarcar.

Parece que faz tanto tempo…e tanta coisa mudou! Certamente o mundo se modificou mais nos últimos 100 anos do que em séculos e séculos de história antiga.

Há cerca de 30 anos as crianças tinham liberdade para criar, fantasiar, brincar. Me lembro claramente que mesmo sem muitos recursos financeiros, uma das minhas brincadeiras preferidas era uma colher com um pote de manteiga vazio que tinha ganho da minha mãe para me distrair enquanto ela estendia roupa no quintal! Quão significativos eram aqueles momentos…e quanta coisa eu criei com potes, caixas e colheres… Tanto que fazem parte da minha memória afetiva até hoje!

Certamente você também tem uma história para contar… e com pouco esforço vai lembrar de momentos e brincadeiras significativas que marcaram a sua infância.

E o seu filho vai lembrar de você quando ele crescer?

Quais memórias afetivas estamos ajudando nossos filhos a construir?

As famílias de hoje são diferentes. O impacto da tecnologia sobre a família do século 21 está modificando as formas de se relacionar e interagir. Inclusive fazendo-nos esquecer de  valores fundamentais que há muito tempo eram o tecido que mantinha as famílias unidas.

Escola, trabalho, casa, amigos, atividades extras, diversão, compromissos… Os pais agora dependem fortemente de comunicação, informação e tecnologia para tornar sua rotina mais rápida e eficiente.   As crianças agora contam com a tecnologia para a maior parte do seu tempo, limitando desafios à sua criatividade e imaginação.

E lamento confirmar: Isso tem um preço alto não só na saúde física, psicológica e comportamental do nosso filho, mas também na sua capacidade de aprender e se relacionar.

Além disso…

Smartphones e Internet também afetam as habilidades de comunicação e o desenvolvimento emocional dos seres humanos. Se uma criança se baseia em produtos eletrônicos para se comunicar, eles correm o risco de enfraquecer suas habilidades de pessoa.  Se a mente de um ser humano pode ser facilmente moldada, imagine as conexões que estão acontecendo em um cérebro ainda em desenvolvimento.

Colocando em prática

  • Crianças com menos de dois não devem estar usando telas ou dispositivos eletrônicos.
  • Procure brincar ao lado de seus filhos e interagir com eles face a face.
  • Certifique-se de que o uso dos eletrônicos não interferem na socialização da família e de amigos.
  • Evite levar esses recursos para festas, restaurantes ou ambientes em que a criança terá oportunidade de interagir com outras pessoas.
  • Substitua jogos eletrônicos por jogos concretos.
  • Incentive as refeições em família e amplie momentos de comunicação e interação entre vocês.
  • Limite o uso da tecnologia por 30 a 40 minutos por dia no máximo. Isso inclui smartphones, TV, computadores, jogos eletrônicos.
  • Quando resolver usar esses recursos, procure aplicativos de qualidade que promovam a construção de vocabulário, matemática, alfabetização e conceitos científicos.
  • Mantenha smartphones fora dos quartos e seja você também o exemplo: Desconecte-se de vez em quando!

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