Distúrbios específicos da aprendizagem

Nesse artigo, vamos falar de alguns dos que na minha experiência são os mais frequentes distúrbios específicos da aprendizagem Infantil:

 

  • Disfasia
  • Dislexia
  • Disgrafia
  • Disortografia
  • Discalculia

Continue lendo esse artigo abaixo onde vamos discorrer sobre cada um dos distúrbios específicos da aprendizagem Infantil.

 

 

Disfasia: apresenta-se como uma dificuldade em nível de expressão ou compreensão na aprendizagem dos conteúdos. Podem estar presentes disfunções em algumas áreas cerebrais, tais como: lobo frontal (área de broca) e lobo temporal (área de Wernick). Clinicamente o comprometimento é importante: são crianças que não elaboram frases, expressam as partes finais das palavras (“eta” por borboleta, “aço” por palhaço) com 3 ou 4 anos de idade.

O atendimento fonoaudiológico dever ser precoce, nesta idade ou até antes. O risco de esta criança apresentar dislexia ou disortografia na idade escolar é grande.

Deve-se considerar que as “disfasias” são quadros preocupantes e graves diferentes da “dislalia” ou “atraso simples da linguagem” em que ocorrem trocas simples e evoluem para melhor rapidamente com atendimento fonoaudiológico e que estão relacionados com falta de maturidade e fatores ambientais.

Dislexia: trata-se de uma dificuldade duradoura na aquisição da leitura. Para se constatar uma dislexia, é preciso descartar algumas outras situações que não devem ser confundidas: a criança não deve ter bloqueios emocionais que a impeçam de aprender, não deve ser nova demais para a alfabetização, isto é, exclui-se a imaturidade; deve ter tido pelo menos dois anos de escolaridade, com uma didática adequada, isto significa que apenas aos 9-10 anos podemos afirmar que a criança é disléxica.
O quadro de dislexia pode variar desde uma incapacidade quase total em aprender a ler, até uma leitura quase normal, mas silabada, sem automatização. Surge em 7 a 10% da população infantil, independente de classe sócio-econômica.

O quadro básico é de uma criança que apresenta dificuldade para identificação dos símbolos gráficos. O distúrbio se encontra no nível das funções de percepção, memória e análise visual.

As áreas do cérebro responsáveis por estas funções se encontram no nível do lobo occipital e parietal, principalmente.

A criança disléxica não deve ser alfabetizada pelo método global, uma vez que não consegue perceber o todo. Precisa de um trabalho fonético e repetitivo, pois terá muita dificuldade na fixação dos fonemas. Necessita de um plano de leitura que inicie por livros muito simples, mas motivadores, aumentando gradativamente e só à medida que lhe for possível, a complexidade.

Disgrafia: é a dificuldade (parcial), porém não na impossibilidade para a aprendizagem da escrita de uma língua.
Algumas vezes a criança não se estabelece uma relação entre o sistema simbólico e as grafias que representam os sons, as palavras e as frases.

O termo disgrafia motora (discaligrafia) consiste na dificuldade de escrever em forma legível. Os indicadores mais comuns da discaligrafia são: micrografia; macrografia; ambas combinadas; distorções ou deformações; dificuldades nos enlaces; traçados reforçados, filiformes, tremidos; inclinação inadequada; aglomerações, etc.

Os casos em que ocorre um distúrbio importante da integração visual espacial e motricidade representam disfunção em nível do lobo parietal e frontal e algumas vezes podem estar relacionadas não somente a motricidade fina, mas também à fatores emocionais. Geralmente não se obtém uma produção mais adequada repreendendo-se a criança.
Deve-se comparar a sua própria obra, para obter um parâmetro da sua melhor produção. Este deve ser objetivo a ser alcançado e não perfeição, que para esse aluno é inatingível. O professor deve trabalhar a conscientização do aluno para sua melhor performance e reforçá-lo positivamente sempre que o alcance.

Disortografia: indicada pela impossibilidade de visualizar a forma correta da escrita das palavras. A criança escreve seguindo os sons da fala e sua escrita por vezes torna-se incompreensível. Não adianta trabalhar por repetição, isto é, mesmo que escreva a palavra vinte vezes, continuará escrevendo-a erroneamente. É preciso trabalhar de outras formas, usando a lógica quando isso é possível, a conscientização da audição em outros casos, como por exemplo: em “s” e “ss”, “i” e “u”, etc.

A disortografia pode ser observada onde se apresentam trocas relacionadas à percepção auditiva. Por exemplo: F por V a disfunção ocorre no nível do lobo temporal e há também envolvimento das áreas visuais (lobo parietal e occipital).

Discalculia: Referente aos distúrbios na área da aritmética, sendo que apresenta-se como incapacidade de compreender o mecanismo do cálculo e a solução dos problemas. O que ocorre com maior freqüência é uma estruturação inadequada do raciocínio matemático. Esta disfunção ocorre em nível de lobos parietais e occipitais.

A criança não tem condições de operar sem o concreto e precisa estruturar demoradamente a construção do número e o raciocínio de situações problema. Frenquentemente há uma mecanização dos conceitos e não uma aprendizagem significativa.

Participe da Discussão!

engajamentos

423 Comentários


  1. Olá Dra. Fernanda, tenho um filho de 8 anos e tenho percebido desde os 6 anos de idade que ele tem dificuldade em aprender a ler, é muito tímido, chora com facilidade quando não consegue realizar as atividades, nas atividades físicas também não tem muita coordenação motora e lendo sobre dificuldade de aprensizagem acho que o problema dele pode ser dislexia, pois ele estuda um assunto e logo depois com facilidade esquece, já conversei na escola com a direção e com professores e eles acham normal, só acha ele um pouco lento, mais eu acho que a dificuldade é grande e vejo o quento ele sofre por nunca terminar as tarefas no tempo normal de outras crianças. Li em uma materia que é preciso passar por uma equipe multidisciplinasr com psicopedagogo, fonoudiológo e neurologista mais qual tem a maior facilidade de diagnosticar dislexia na criança? estou precisando de ajuda. Abraços Alessandra


    1. Oi Alessandra. Não fique na dúvida, a informação é sempre o melhor caminho. Começe por uma avaliação com Psicopedagoga, caso haja indicação de procurar outro profissional ela poderá te indicar o melhor caminho. Mande notícias! Abraços

Comentários encerrados.