Os medos na infância…essa fase vai passar?

O medo faz parte do processo de desenvolvimento humano ao longo da história. O filme infantil “Os Croods” relata a vida de uma família pré-histórica que sobrevive associando o medo à sobrevivência.

Mesmo que de uma maneira cômica e exagerada, o filme consegue nos mostrar que ter medo pode preservar nossa saúde e integridade física.

É claro que a história do filme caminha no sentido de superação e descobertas, quebrar o ciclo e ousar, mas o que queremos ilustrar é que o medo faz parte da constituição humana desde os tempos mais remotos.

Considerando esse aspecto, reconhecemos que o medo é uma resposta natural, que faz parte do crescimento e passa por fases e ciclos.

Por volta dos 3 anos de idade é que geralmente as crianças expressam os primeiros episódios de medo, justamente porque com essa idade elas já têm vocabulário e materiais suficientes para falar sobre sentimentos e sensações.

Depois perto dos 7 anos essa fase pode se intensificar, com as mudanças que ocorrem nesse período, como a perda da primeira infância e o aumento das exigências e responsabilidades, tanto sociais como escolares.

A entrada na adolescência é outro marco: o medo reaparece, mas nem sempre é perceptível aos olhos dos pais. Por ser uma fase onde o adolescente está mais voltado para o convívio social e o relacionamento entre pares, é com os amigos que na maioria das vezes eles vão trocar essas angústias.

Em qualquer uma dessas fases é importante salientar que esse episódio deve ser momentâneo e a tendência é que desapareça aos poucos. Caso contrário pode ser um sinal de alerta para que os pais interfiram ou procurem ajuda indicada para superar essa dificuldade.

Didaticamente podemos definir dois tipos de medos: concreto e imaginário. O medo concreto é quando o fator desencadeante está presente e a sensação de medo ocorre. Por exemplo, alguém que tenha medo de escuro mas frequenta tranquilamente ambientes a noite. Caso em alguma ocasião saia a energia, imediatamente vai expressar medo, pois o fator desencadeante (escuro) está concretamente presente.

O medo é imaginário é um grau acima e um pouco mais preocupante. Ele se caracteriza pelo afastamento de situações e ambientes que na imaginação da pessoa podem causar medo. Ou seja no exemplo acima, a pessoa com medo de escuro passa não frequentar locais a noite e está sempre munida de algo que possa clarear o ambiente em caso de falta de energia. Sendo assim o medo é uma preocupação recorrente no seu dia a dia.

Um exemplo na área infantil é um criança de 3 anos de idade de ficou bastante assustada com o barulho na festa preparada pela escola no Dia das mães. A música estava alta, muitas pessoas por perto, crianças e professoras agitadas. Nesse ponto, é compreensível que a criança fique assustada, insegura e não se sinta bem na apresentação. O ponto é que passados alguns meses, a professora explicou para a turma que as crianças iriam preparam uma apresentação para o dia dos Pais. Imediatamente, a criança do exemplo ficou em pânico, não quis participar e resistiu fortemente a ficar na escola nos dias seguintes.

 Esse tipo de atitude nos chama a atenção e convida a observar detalhadamente. Que outras associações essa criança poderá fazer daqui pra frente? Onde mais ela está ancorando seu medo? Quais situações ela tem se esquivado por imaginar que vai encontrar o fator desencadeante?

Outro ponto importante a ser considerado é a concepção de medo. Essa é uma construção pessoal e na maioria das vezes a da criança é diferente da nossa. Nós temos uma ideia do que é sentir medo que foi construída no decorrer na nossa vida, desde a infância, adolescência, fase adulta, enfim, através de acontecimentos e situações reais ou imaginarias. Ou seja, nós temos um acúmulo de experiência que nos permite dizer que sensação que estamos sentindo corresponde ao medo.

Portanto, tenha em mente que quando seu filho diz que está com medo, provavelmente ele não tem a mesma carga emocional que você e por isso a percepção dele pode ser diferente. Dê espaço para que ele se expresse, pergunte como é ter medo, ajude-o a entender e nomear esse sentimento que ele também ainda não sabe.

Muitas vezes temos a tendência de responder ao medo tentando minimizá-lo “Não precisa ter medo” ou “Isso não é nada” e criamos um ciclo de repetição. Cada dia que passa, a criança ressalta o seu medo ou cria “novos” medos, como se tivesse passando de fase em fase.

Nossa postura assertiva nesse momento é acolher, valorizar o sentimento da criança e dar suporte. Muito mais significativo do que negar ou menosprezar é acreditar. Sim, isso mesmo! Se a criança expressa um medo ele pode realmente existir dentro de uma lógica infantil, então a melhor saída é juntar-se a ele.

Ou seja, diga para o seu filho que está tudo bem, que faz parte do crescimento, as vezes as pessoas podem ter medos e quando você era criança também já passou por isso. Pergunte a ele que ideias ele pode ter para superar. Mesmo que no primeiro momento ele diga não sabe, você pode dar sugestões: “Podemos tentar assim, ou assim, o que acha?”

Essa parceria e cumplicidade entre vocês criam um sentimento de segurança e vínculo e seu filho vai ter provas de que você está do lado dele, mesmo quando os problemas aparecerem.

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